São Paulo, SP 27/10/2021 – É fundamental saber que o custo portuário brasileiro é um dos maiores do mundo e achar as saídas de melhor custo versus benefício coloca a empresa em vantagem.

Ano passado, o percentual que já passou de 40%, chegou a 32%. Para ter maior participação no mercado externo, as micro e pequenas empresas precisam se preparar. Especialista em exportação mostra o que elas precisam considerar antes de querer vender para fora.

Uma em cada três empresas brasileiras exportadoras são de pequeno porte. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em um universo de 25 mil empresas que vendem para o exterior, 8,4 mil são as chamadas micro e pequenas empresas (MPE) que, em 2020, foram responsáveis por 32% das exportações. Ainda que o montante de valores negociados seja baixo, em torno de 1% segundo a Agência, há expectativas de crescimento e a volta ao patamar de anos anteriores.

Levantamento do Sebrae, de 2019, mostra que o volume de exportação de produtos e serviços de micro e pequenas empresas beirou os 40% naquele ano, em relação ao total de empresas que venderam para o mercado internacional. A pesquisa “Oportunidades Comerciais para Micro e Pequenas Empresas”, realizada pela entidade em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrou os setores com maior potencial de crescimento nas vendas para o exterior, identificando ainda os mercados mais promissores. Confecção de artigos de vestuário e acessórios é um dos setores em ascensão, seguido de produtos alimentícios como conservas de frutas, legumes e outros vegetais, além de móveis, sabões, detergentes, cosméticos e perfumaria.

Sabendo do potencial de vendas para determinados mercados, as MPEs que atuam nos nichos identificados pelo estudo precisam se preparar, ainda mais agora com a maior contenção da pandemia da Covid-19, que influenciou na queda registrada das exportações registrada no ano passado. O processo não é tão simples e exige pesquisa e adoção de estratégias para não correr o risco de sofrer prejuízos e até mesmo inviabilizar o negócio no mercado nacional. Para o especialista em comércio exterior e com 15 anos de experiência em logística internacional, Regis Rodrigues, as micro e pequenas empresas precisam conhecer desde os sistemas locais de portos, rodovias, ferrovias, licenças, contratos e seguros, até a compreensão básica das diversas etapas que a mercadoria vai passar até chegar ao importador.

Rodrigues também aconselha os pequenos empresários que querem começar a exportar a conhecer bem seus concorrentes internacionais, para analisar se vale a pena a competição. Outra observação do especialista para esse público é estudar as taxas cambiais e se programar financeiramente para as oscilações de valores. “A burocracia aduaneira com os procedimentos alfandegários pode ser um empecilho já no início do jogo. Apesar dos ganhos atraentes, é preciso considerar a atual taxa cambial com base no dólar americano. Além disso, o exportador precisa se atentar também às negociações do contrato de câmbio para que esse fator não comprometa o planejamento financeiro da empresa”, observa.

Estudar estratégias de preços, levando em consideração todos os custos que o processo de exportação vai demandar, também é um fator que os novos exportadores devem considerar para evitar desperdícios e não prejudicar o negócio. “Por exemplo, é fundamental saber que o custo portuário brasileiro é um dos maiores do mundo e achar as saídas de melhor custo versus benefício coloca a empresa em vantagem no mercado. E esse fator pode agradar gregos e troianos, uma vez que o importador poderá estar satisfeito com o custo e se tornar um comprador assíduo”, comenta Regis Rodrigues.

A partir de 2022, plataforma digital vai ajudar MPEs que querem vender para o exterior

No último dia 21 de outubro, o governo brasileiro lançou um serviço digital e gratuito para micro e pequenas empresas que querem entender se têm condições de entrar no mercado internacional. Desenvolvido em parceria com o governo do Reino Unido, o serviço é baseado na metodologia do Plano Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), coordenado pelo Ministério da Economia (ME).

De acordo com as informações do Ministério, o aplicativo digital, pioneiro na América Latina, permitirá às MPEs identificarem e consumirem serviços voltados à exportação tanto nas fases de pré-fechamento do contrato – com capacitação empresarial e inteligência de mercado – quanto no pós-fechamento, como financiamento e logística.  A finalização do projeto e a inauguração do serviço estão previstos para o primeiro semestre do próximo ano.

Até lá, micro e pequenas empresas que tiverem interesse em iniciar no mercado exportador podem conseguir informações e consultorias com entidades como a própria Apex, órgão do governo federal, ou com Sebrae e, ainda, a plataforma Indústria Global.

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