São Paulo 18/10/2021 – Ao subestimar e ter uma falsa cardiopatia, perde-se a oportunidade de prevenção e de tratar os pacientes aquém do que seria possível.

Durante o 2º Congresso Virtual da SBPC/ML, realizado no dia 10 de setembro, o criador da fórmula Martin, Dr. Seth Shay Martin, cardiologista preventivo e lipidologista clínico no Hospital Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, defendeu o seu estudo e a liberação de jejum para perfil lipídico adotada no Brasil.

O Clin Chen Paper de Friedewald, Levy e Fredrickson, de 1972, é um dos artigos mais citados da história da clínica química. Nele, foram estudados 9 distúrbios lipídicos familiares de 448 participantes, a partir do colesterol obtido por centrifugação. Esse estudo é referência, pois permitiu muitos avanços na doença cardiovascular.

No entanto, é preciso admitir que havia muitas restrições na época, o tamanho da amostragem e a tecnologia são alguns dos pontos que podem ser elencados.

A simples divisão dos triglicerídeos do plasma por 5 não dá uma estimativa precisa do LDL-colesterol (LDL-c). Naquela época, não existiam os fármacos que reduziam os níveis de colesterol, tais como a estatina e o ezetimibe. Com isso, não era possível identificar pessoas com níveis de LDL-c abaixo de 70 mg/dL e a tendência era subestimar estes níveis baixos de LDL-c e que são clinicamente importantes.

No estudo publicado pelo Dr. Seth Martin, que contou com mais de 1 milhão pessoas, dentro destas 15% das amostras apresentam nível de LDL-c abaixo de 70, que não apareciam antes no estudo de Friedewald.”Isso significa que se continuar utilizando a Fórmula Friedewald, perde-se a oportunidade de fazer a prevenção nesses pacientes. É preciso lembrar o fardo da doença cardiovascular e o papel central que o LDL-c desempenha: a doença cardiovascular tira mais vidas que todos os tipos de câncer e todas as doenças do trato respiratório inferior em conjunto”, comentou Martin.

Como está descrito no Guia do Colesterol de 2018 da AHA (American Heart Association) / ACC (American College of Cardiology), a medida do LDL-c é central na prevenção do colesterol e da doença cardiovascular. Especialmente para pacientes de alto risco, quando indica-se estatina em altas doses e nível de LDL-c de 70 mg/dL com acréscimo de ezetimibe.

No entanto, nota-se que boa parte dos médicos na prática clínica ainda não está utilizando para avaliação dos pacientes colesterol- não HDL. Esta avaliação torna-se importante quando os níveis estão abaixo de 70 mg/dL.

Por esta razão, o Prof. Martin elogia tanto a iniciativa brasileira, pioneira, de liberar o jejum para perfil lipídico e incluir a utilização da sua fórmula para cálculo do LDL-c. Ele lembrou: “é nesse estado que a pessoa passa a maior parte do tempo e que isso propicia a melhora da precisão da prescrição do LDL-c”. Tudo isso é importante porque terá um impacto para o desfecho de saúde do paciente e permitirá melhores decisões do médico.

“Ao subestimar e ter uma falsa cardiopatia, perde-se a oportunidade de prevenção e de tratar os pacientes aquém do que seria possível”, comentou Martin. Questionado sobre o uso do exame de lipoproteína A – lp(a) pelo Dr. Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, presidente da SBPC/ML, o Prof. Martin disse que, apesar de ainda não existir um medicamento específico para esta lipoproteína, o exame auxilia no cenário completo, pois já sabe-se que é um potencial fator que aumento de risco e ajuda a tomada de decisão – em otimizar terapias. E reforça que em breve novas terapias alvo contra a lp(a) estarão disponíveis para se atuar de forma mais efetiva contra esta lipoproteína.

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