São Paulo, SP 12/8/2021 – O ensino interativo incentiva as crianças a aprenderem de forma autônoma e participativa, a partir de problemas e situações reais

O ensino baseado na interação entre professores e estudantes proporciona uma aprendizagem com níveis mais elevados de motivação e engajamento

O ensino escolar está passando por um processo de transição de um sistema antigo para uma realidade mais tecnológica, com desafio de inovar e incorporar novas ferramentas, de adquirir novas metodologias e de mudar a maneira de enxergar a relação entre estudante e professor, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De acordo com uma pesquisa feita com 200 educadores, pelo Instituto Ayrton Senna, 84% dos profissionais concordam que o tempo dedicado na escola ao ensino interativo e ao desenvolvimento de competências socioemocionais potencializam o aprendizado nas disciplinas tradicionais.

As crianças, atualmente, já chegam às escolas com uma bagagem enorme de conhecimento devido aos estímulos recebidos através do leque tecnológico e das informações existentes no meio social, com isso, professores passaram a ter que planejar aulas de maneira mais dinâmica, envolvente e desafiadora, para conseguir atingir o objetivo de formar alunos proativos e criativos, afirma Fabiane Cristina Araújo de Paiva, graduada em Curso Normal Superior e em Pedagogia, com pós-graduação em Gestão Escolar e em Educação Especial e Psicomotricidade.

“O professor precisa ter jogo de cintura para deixar sua aula dinâmica e interativa, diferente de como acontecia antigamente. O ensino interativo incentiva as crianças a aprenderem de forma autônoma e participativa, a partir de problemas e situações reais. A proposta é que a criança esteja no centro do processo de aprendizagem, participando ativamente e sendo responsável pela construção de conhecimento”, declara Fabiane.

Com o intuito de tornar as aulas envolventes, a pedagoga observa que os professores têm utilizado variados recursos tecnológicos em conjunto com as aulas práticas. Dessa forma, a aprendizagem passa a ocorrer de maneira instigante, pois a criança se torna a principal envolvida no processo ensino-aprendizagem, e o professor o mediador.

Segundo o Censo Escolar da Educação Básica de 2020, a internet, por exemplo, está presente em 100% das escolas de ensino fundamental da rede federal, em 74,7% da rede estadual, e em 52% da rede municipal. O computador de mesa para alunos está presente em 91,3% das escolas federais de ensino fundamental, em 76,7% das estaduais, e em 38,3% das municipais.

Paiva também menciona que a “mágica” para uma aula envolvente é quando se proporciona significado ao aprendizado, colocando algo novo em prática e tentando novos experimentos. “Os professores não podem ignorar essa bagagem trazida pelas crianças atualmente, e sim fazer disso um presente e encarar como um desafio para o enriquecimento das suas aulas”, relata a gestora escolar, com curso de Programa de Professores Alfabetizadores (PROFA), Alfabetização Significativa, As Diferentes Linguagens na Educação Infantil, Linguagens: Suas Expressões na Década da Educação, entre outros.

O planejamento de aulas, diz Fabiane, deve ser feito com uma seleção estratégica de ensino, o professor deve compreender o aluno de forma integral, buscando identificar as necessidades, o nível de desenvolvimento intelectual, físico, emocional, social e cultural. “A chave do sucesso é acolher as diferenças e reconhecer que cada criança é um indivíduo único que aprende de uma forma diferente e vive em um contexto próprio”, explica a profissional.

A partir destes pontos, a pedagoga lembra que se pode definir as melhores estratégias, fazendo adaptações sempre que necessário, lançando atividades desafiadoras e ao mesmo tempo possíveis de serem realizadas.

Um estudo recém-divulgado, feito pelo Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais, do LaPope, da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ), com famílias de crianças estudantes, constatou uma diferença de mais de 20%, entre as mais ricas e as mais pobres, nas atividades de incentivo ao desenvolvimento cognitivo levadas de casa para escola, como pintar, desenhar, ler livros, cantar músicas e brincar com letras, números e cores. A prática de contar e brincar com números, por exemplo, ocorre em 74% das famílias de nível socioeconômico mais alto, contra 46% nas famílias de nível socioeconômico mais baixo.

Conforme a especialista, os professores precisam atualizar-se constantemente, utilizar recursos tecnológicos, apresentar aulas com atividades práticas e desafiadoras e oferecer atividades que façam sentido no dia a dia das crianças. Além de adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, tomando decisões e avaliando os resultados.         

“As crianças precisam experimentar diferentes possibilidades de mostrar sua maneira de resolver conflitos, buscar novos caminhos e estratégias. Dessa forma, os professores contribuirão para a formação de crianças proativas e criativas”, finaliza Fabiane Paiva, com experiência como diretora, vice-diretora e professora de educação infantil e ensino fundamental, na educação infantil e educação especial (autismo e TDAH) inserida no ensino regular, e também palestrante de projeto de ensino, música e movimento de contação de histórias.

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