São Paulo, SP 15/6/2021 – Dizer que alguém é portador de velhice é incabível. Estar doente é diferente de ser doente

Recente decisão da OMS para incluir a velhice como uma doença, com CID (Classificação Internacional de Doenças), pode ser um retrocesso no combate aos preconceitos que essa faixa etária já sofre como o idadismo e etarismo

A velhice é uma doença? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sim. Em 1º de janeiro de 2022 entra em vigor a nova Classificação Internacional de Doenças (CID), que inclui o grupo 60+ automaticamente como doentes.

“No início do próximo ano teremos 20% da população mundial automaticamente classificada como doentes”, explica Marcia Sena, da Senior Concierge, negócio de impacto que trabalha com serviços pela longevidade e o envelhecimento ativo.

A CID 11, passa a conter o código MG2A. Com isso, indivíduos longevos passam a ser categorizados como “portadores de velhice”. Marcia explica que já há muito estigma acerca dos idosos. “O idadismo e etarismo são fortemente combatidos por todos aqueles que advogam pela longevidade. O preconceito com as pessoas mais velhas, que hoje é algo muito difícil de lidar, vai ganhar força uma vez que essas pessoas serão tratadas como doentes, tendo como base o simples fato de terem vivido por mais anos. Isso é um absurdo e precisa ser revisto”, enfatiza.

Os impactos da nova classificação vão além do preconceito que pode ser ampliado aos idosos. O código CID é usado por empresas para calcular apólices e, até mesmo, as chamadas carências. Na contratação de um seguro de saúde ou convênio médico, quando essa pessoa estiver na negociação de valores, a classificação de alguém com mais de 66 anos por si só já irá amparar um “diagnóstico de velhice”. O mesmo deverá acontecer com os seguros de vida.

“Dizer que alguém é portador de velhice é incabível. Estar doente é diferente de ser doente. Existe cura para o envelhecimento ou ele é um processo? A quem interessa economicamente essa classificação? Com isso lutaremos contra a velhice como lutamos contra o que encaramos como doença?”, questiona Marcia.

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