São Paulo – SP 28/10/2021 – As organizações que aumentaram a presença de mulheres em cargos altos em até 30% viram um crescimento de 15% em sua rentabilidade.

Apenas 14,7% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, de acordo com uma pesquisa recente realizada em 400 empresas pela Teva Índices e apresentada no Summit ESG, evento on-line realizado pelo jornal Estadão.

A liderança feminina nas empresas é um assunto que vem sendo cada vez mais debatido no mercado corporativo. Com o passar das últimas décadas, as discussões a respeito da igualdade de gênero, até então muito restritas aos ambientes universitários, tornaram-se mais populares, o que fez com que as disparidades entre homens e mulheres ficassem ainda mais evidentes, principalmente no contexto profissional. E mesmo que já existam dados que comprovem os bons resultados obtidos por mulheres no comando de suas equipes, elas ainda representam uma baixa parcela dos profissionais que ocupam posições de liderança.

De acordo com uma pesquisa recente realizada em 400 empresas pela Teva Índices e apresentada no Summit ESG, evento on-line realizado pelo jornal Estadão, apenas 14,7% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Mesmo que este grupo colabore em pontos importantes como flexibilização, criatividade, inovação e aumento da diversidade, fatores considerados essenciais para que uma empresa mantenha sua competitividade, as mulheres ainda vêm se deparando com empecilhos para chegar às posições de comando em suas organizações.

Mesmo que alguns paradigmas já tenham sido quebrados e as mulheres correspondam a uma parcela importante dos profissionais ativos, algumas pautas que surgem nessas circunstâncias, como a equidade entre salários, que chegam a ser 14% menores para mulheres, além de treinamentos e condições igualitárias entre os gêneros, ainda evidenciam a diferença nos tratamentos dados a homens e mulheres.

A prova dessa condição, infelizmente, são os baixos números, como os apontados por esta pesquisa realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo os dados levantados, em países em desenvolvimento, 42% do trabalho realizado por mulheres está relacionado a atividades sem nenhum tipo de remuneração, enquanto a porcentagem para os homens é de 20%. Outro dado alarmante apontado pelo estudo é que apenas 48,5% das mulheres fazem parte da força de trabalho desses países. Quanto aos homens, esse número chega a 75%.

Se os desafios para entrar (e se manter) no mercado de trabalho já são grandes para essas profissionais, para ocupar cargos de liderança, eles se tornam maiores ainda. Segundo uma pesquisa realizada em 2019 pela Bain & Company em parceria com o LinkedIn, apenas 3% dos líderes empresariais brasileiros são mulheres, número que ganha ainda mais contraste pelo fato de que elas correspondem a quase 60% dos estudantes universitários do país. Nos cargos gerenciais, a porcentagem também é alarmante: de acordo com o IBGE, não chegam a 38% .

E antes que se pense que essa baixa participação pode estar relacionada ao desempenho dessas profissionais, apesar dessas circunstâncias, os benefícios trazidos por elas às empresas são incontestáveis.

De um ponto de vista social, a liderança feminina no mercado de trabalho é importante para combater a discriminação de gênero nas empresas e dar oportunidades para profissionais adequadas que, por vezes, são desconsideradas única e exclusivamente por serem mulheres. A presença delas em cargos altos e com salários equivalentes aos dos homens resultaria em um aumento expressivo do PIB, já que elas são responsáveis por sustentar financeiramente 45% das famílias brasileiras .

Mas essas não são as únicas dimensões em que as lideranças femininas representam ganhos significativos. Em um estudo realizado pelo Peterson Institute of International Economics, ficou constatado que as organizações que aumentaram a presença de mulheres em cargos altos em até 30% viram um crescimento de 15% em sua rentabilidade. Para que esse resultado fosse obtido, foram utilizados dados de mais de 22 mil empresas de 91 países diferentes.

Empresas que possuem equipes executivas que contam também com mulheres têm 14% mais chances de superar seus concorrentes, como aponta a pesquisa realizada pela consultoria McKinsey.

Os bons resultados não param por aí. De acordo com um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), organizações com pelo menos uma mulher em uma posição hierárquica alta têm melhores notas em índices ESG, tanto de maneira geral, quanto nos aspectos ambientais e sociais de forma isolada. Alguns estudos apontam, também, que as mulheres têm desempenho melhor do que homens em posições de liderança, estabelecem padrões maiores de qualidade e que os colaboradores preferem trabalhar com uma delas gerindo suas equipes, como mostra essa matéria da revista Forbes.

Apesar dos baixos números e dos muitos percalços do caminho, a presença feminina em posições de liderança é benéfica e vantajosa não apenas para essas profissionais, como também para as empresas onde atuam.Tornou-se essencial para as organizações investir no desenvolvimento delas.

Apoiando-as para que se tornem profissionais mais completas e fornecendo tratamento igualitário, será uma questão de tempo até que a tão desejada equidade entre gêneros seja alcançada no âmbito profissional. E somente desta forma, é possível dar os primeiros passos para um futuro com mais mulheres e menos desigualdades.

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