26/10/2021 –

A clínica de recuperação psiquiátrica tem grande papel na promoção e cuidado com a saúde mental e os números mostram aumento da necessidade desses serviços.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, os hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tiveram um aumento de 54% em 2020 no atendimento de dependentes químicos em relação a 2019. Este aumento é preocupante pois, nos últimos anos, nunca foi registrado tamanho crescimento.

Como o tema das internações e do funcionamento das clínicas psiquiátricas possa ainda causar confusão por conta das novas leis que estabelecem as diretrizes sobre o assunto, os profissionais da Clínica Cleuza Canan, especializada no tratamento de dependentes químicos (no regime ambulatorial e de internação) deram alguns esclarecimentos acerca do tema em questão.

COVID-19 como fator de aumento

Quase 4 em 10 brasileiros tiveram piora na saúde mental durante o período da pandemia da COVID-19. Segundo pesquisa PoderData, realizada de 13 a 15 de setembro de 2021, são 38% os que dizem estar em uma situação pior do que no início da pandemia. Outros 43% relatam estar na mesma situação e 16% consideram ter melhorado.

Reforçando esses dados, um relatório produzido pela Organização Mundial da Saúde, apontou que as altas no atendimento de dependentes químicos em clínica de recuperação têm relação com a pandemia do novo coronavírus, uma vez que o estresse gerado por essa situação induz ao uso abusivo de álcool e drogas e, nos casos mais dramáticos, ao comportamento suicida. 

Segundo Cleuza Canan, fundadora da Clínica homônima, todos os casos de ideação suicida necessitam de internação psiquiátrica, uma vez que essa condição representa risco iminente de vida. De uma forma geral, é solicitada uma internação involuntária nesses casos. Para que o paciente portador de transtorno mental seja internado em uma clínica especializada existem três meios:

  • A internação voluntária, que é feita quando o próprio paciente a procura e aceita;
  • A internação involuntária, que é aplicada a pedido de terceiros, sem o consentimento do portador de transtornos mentais;
  • A internação compulsória, determinada por um juiz.

Portanto, qualquer internação em clínica especializada, mesmo quando feita de forma compulsória, deve ter um laudo médico para o justificar. A lei ainda determina que uma internação precisa ser autorizada por um profissional médico.

Segundo Canan: “É evidente que o tratamento em clínica para tratamento de transtornos é uma medida importante, recomendada em determinadas condições, como, por exemplo, quando os recursos externos não atendem as necessidades do paciente, ou mesmo quando não há condições de garantir a segurança, seja do paciente, seja de terceiros que com ele convivem.”

As diretrizes para a internação em clínica psiquiátrica, da mesma forma que outros tipos de atendimento, constam do Código de Ética Médica, que regula as práticas médicas, mesmo quando se trata de dependência química. No entanto, o documento não tem força de lei, embora tenha amparo nos princípios éticos estabelecidos pela medicina. 

Assim, por exemplo, o Código de Ética Médica garante o respeito à autonomia e à liberdade de escolha dos pacientes, assim como o direito de o médico estabelecer procedimentos para cada situação, com exceção de caso de risco iminente de morte. Também é uma obrigação ética do médico garantir os interesses e a integridade dos pacientes sob seus cuidados, mesmo quando internados em clínica especializada em dependência química contra a sua vontade.

Porém, um transtorno mental que causa ideação suicida, por exemplo, é, na maior parte dos casos, considerado grave pelo fato do paciente não ter capacidade de discernimento e condições mentais de tomar qualquer decisão.

Abuso de drogas cresce e afeta número de internações

Diante da piora da saúde mental no atual cenário pandêmico, dados do IBGE afirmam que a produção de bebida alcoólica cresceu 17,6% nos primeiros quatro meses de 2021, em comparação ao mesmo período de 2020. Mostrando aumento do consumo de álcool no Brasil. 

Segundo Cleuza Canan, o problema da dependência química aumenta as chances de internação. Assim, o dependente de drogas ou o portador de transtorno mental muitas vezes precisa receber um tratamento para ajudá-lo a conter o impulso pelo uso da droga.

Nesse sentido, existem clínicas particulares especializadas em dependência química, as quais oferecem um tratamento multidisciplinar para melhorar a saúde dos pacientes de maneira integral, restabelecendo o bem-estar nas esferas físicas, mentais e espirituais.

O tratamento da dependência química, por si só, exige cuidados especiais por parte dos responsáveis, uma vez que cada paciente apresenta uma determinada condição física e mental, não havendo a mínima possibilidade de aplicar uma terapia em conjunto.

Estrutura de atendimento recomendada

Para finalizar, Canan deixa claro que o para a máxima eficácia do tratamento, uma clínica deve atender os principais requisitos descritos a seguir:

  1. Sempre que possível, a internação deve ser feita com a separação de pacientes de acordo com seu gênero, grau de desenvolvimento físico e sua maturidade psíquica;
  2. De acordo com critérios médicos, que devem estar fundamentados conforme a situação apresentada, pode haver exceções, que também devem ser autorizadas e consideradas pelos responsáveis legais do paciente, quando se tratar de internação voluntária ou involuntária, ou o juiz, quando a internação for compulsória;
  3. As exceções precisam ser consideradas atendendo o interesse do paciente e/ou de sua família, nunca podendo ser aplicadas sob o ponto de vista dos interesses da instituição de saúde, uma vez que é prevalecente o interesse do paciente, atendendo os princípios de Proteção Integral, de Prioridade Absoluta e do Melhor Interesse.

A Clínica Cleuza Canan oferece mais informações sobre como funciona uma clínica de recuperação psiquiátrica através do link: https://clinicacleuzacanan.com.br/blog/clinica-psiquiatrica/

Website: https://www.clinicacleuzacanan.com.br/blog/clinica-psiquiatrica/

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