São Paulo / SP 20/8/2021 – O uso de produtos não é um tratamento, e ao persistirem os sintomas um profissional qualificado no tratamento da boca amarga deve ser consultado.

A boca amarga tem 8 causas frequentes, algumas associadas ao mau hálito como a saburra lingual, cáseos amigdalianos, doenças da gengiva, baixa produção salivar, cremes dentais com lauril sulfato de sódio e o jejum prolongado, além de outras comuns como o efeito colateral de medicações e a carência de zinco na dieta.

De acordo com um estudo recente publicado em maio de 2021 (A chemical-mechanical tongue cleaning method: an approach to control halitosis and to remove the invisible tongue biofilm, a possible cause of persistent taste disorder), realizado pelo Dr. Maurício Conceição e Dra. Fernanda Giudice, a saburra lingual, conhecida também por biofilme lingual visível, é a causa mais frequente de alteração de paladar. Nesse estudo os autores apresentam um novo conceito para casos de boca amarga persistentes, que é o biofilme lingual invisível.

“A boca amarga tem inúmeras causas, mas cerca de 8 delas são responsáveis por cerca de 99% dos casos de pacientes que já atendi na minha clínica”, revela Dr. Maurício Conceição, que trata pacientes com boca amarga, boca seca e mau hálito na Clínica Halitus, nas cidades de São Paulo e Campinas.

Os autores informam que a limpeza da língua com métodos tradicionais, realizada com a escova de dentes e raspador de língua, só remove a saburra lingual superficial, sobrando um remanescente entre as papilas da língua (pelezinhas), podendo alterar o paladar e causar o mau hálito (biofilme lingual invisível). Para resolver o problema é recomendada uma técnica químico-mecânica de limpeza da língua (Técnica DC), que de acordo com pesquisa comparativa (Marocchio et al., 2008) remove 67% mais biofilme que o raspador de língua e 148% a mais que a escova de dentes. Essa limpeza deve ser associada ao uso de um enxaguatório, que segundo pesquisa realizada com 50 voluntários (Conceicao et al., 2008), diminui a formação de saburra lingual, a concentração dos gases responsáveis pela halitose bucal e a formação dos cáseos amigdalianos, que é uma segunda causa de boca amarga.

O uso desses produtos associados consegue interromper ou no mínimo diminuir a formação dos cáseos amigdalianos, que são placas bacterianas que se formam nas amígdalas, similares a pequenas bolinhas de queijo e que têm um odor desagradável, evitando a cirurgia de amígdalas na grande maioria dos casos e controlando o mau hálito.

A terceira causa de boca amarga e que também pode causar o mau hálito é o sangramento gengival. A gengiva saudável não sangra e quando isso ocorre com alguma frequência indica um processo de inflamação, chamada gengivite ou, em casos mais graves em que já há a presença de perdas ósseas, podendo ou não estar associada a infecções, ocorre a periodontite. Nesse caso um especialista em gengiva (periodontista) deve ser consultado, lembrando que o sangramento gengival nunca é normal de ocorrer (Conceição, 2013).

Uma quarta causa de alteração de paladar é a carência de zinco na dieta. Pode ocorrer em quem não ingere com frequência carne vermelha, frutos do mar, feijões, nozes, sementes e cereais integrais. Nesses casos o ideal é passar a ingerir regulamente esses alimentos ou fazer uma suplementação com zinco por pelo menos 2 meses (Conceição, 2013).

A quinta causa para a boca amarga, muito frequente, é o uso de produtos de higiene bucal que contêm Lauril Sulfato de Sódio (LSS), um componente que está presente na maioria dos cremes dentais, especialmente das marcas mais famosas. O LSS pode alterar o paladar, causar ressecamento nos lábios e bochechas, ardência bucal e até provocar o aparecimento de aftas. Nesse caso o ideal é substituir o creme dental por uma marca que não tenha o LSS em sua composição (Conceição, 2013).

A sexta causa para a alteração do paladar é a baixa produção salivar, pois é por meio da saliva que é possível sentir o gosto nas papilas gustativas. Nesse caso é indicado consultar um profissional qualificado no tratamento da baixa produção de saliva ou adquirir um kit para medir a produção salivar e, em caso desta estar abaixo dos limites considerados normais, utilizar produtos que aumentam a saliva por meio de estímulos gustatórios e mastigatórios (Conceição, 2013).

Finalmente, além das 6 causas anteriores, existem outras 2 possibilidades que também causam a boca amarga, que são as reações adversas de medicações e a hipoglicemia, comumente causada pelo jejum prolongado. Nesses casos é indicado ler a bula das medicações que estejam sendo utilizadas para verificar se elas têm esse efeito adverso, procurando na bula pelas palavras boca amarga, alteração de paladar e disgeusia. E é importante evitar ficar muitas horas sem se alimentar, comendo algo leve entre as refeições principais, se este intervalo for superior a 5 horas, para não ter a boca amarga pelo jejum prolongado.

Dr. Maurício ressalta que o uso de produtos não é um tratamento, e ao persistirem os sintomas um profissional qualificado no tratamento da boca amarga deve ser consultado.

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