Depois de um período de queda o Brasil volta a registrar aumento no número de abertura de empresas. Nos primeiros quatro meses deste ano 1,3 milhão de empreendimentos de pequeno, médio e grande porte iniciaram suas atividades no país. Se por um lado o número é expressivo e pode significar, em um futuro breve, o aquecimento da economia, por outro, é preciso conscientização do empresário para a realidade do mundo dos negócios, uma vez que o Brasil tem um histórico de fechamento de empresas nos seus primeiros anos de vida.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) menos de 40% das empresas conseguem sobreviver após cinco anos de atividade. Ou seja, seis em cada dez fecham suas portas antes de completar meia década de existência. Neste sentido, a capacitação do empresariado para entender o funcionamento do negócio é essencial para o seu sucesso. Criação de empresas significa geração de emprego e a sua sobrevivência é fator de incremento da economia e consequentemente, de melhoria de vida do cidadão.

Mas o que fazer para que as novas empresas tenham sucesso? Para o empresário Ricardo Nunes é fundamental que os empreendedores tenham conhecimento para tocar os seus negócios, pois muitas empresas nascem e morrem rapidamente pela falta de experiência. Em sua opinião, é preciso que o empresário tenha clareza sobre diversos assuntos como fluxo de caixa, margem de lucro de cada produto, cálculo de impostos e principalmente, que saiba separar a vida pessoal dos negócios, para não se perder.

“Muitos misturam o caixa com a vida pessoal e perdem o controle, porém o aprendizado mais importante e que todo empresário precisa entender é que qualquer empresa vive de venda, que a venda é tudo em um negócio, por isso ele deve estar atento a duas questões básicas: o acompanhamento direto das vendas e o marketing”, orienta.

De acordo com o empresário muito empreendedor contrata seus vendedores, mas não acompanham as vendas, além de não darem a devida importância ao trabalho de marketing, que deve ser feito diariamente. “Quem quer vender mais, tem que comunicar mais, então é preciso ter foco naquilo que é essencial. Tem que estar atento e focar na venda, em buscar um bom mix de produtos, melhorar a margem e ter o radar ligado, sempre observando o mercado e os concorrentes”.

Nunes, que é fundador da Ricardo Eletro e durante 30 anos atuou no mercado varejista, hoje empreende na área de formação empresarial e se dedica a ensinar empresários a entenderem seus negócios para que estes tenham vida longa. Em seus treinamentos ele mostra como encurtar o caminho para o sucesso. Sempre de olho no que é mais competitivo e lucrativo, Ricardo Nunes orienta que toda empresa, pequena ou grande, tem a obrigação de estar presente no meio digital. “Tem que vender on-line e off-line. É preciso ter consciência muito clara disso. Abertura de empresas, garante empregos e a oportunidade de um emprego é um grande bem social, que permite ao cidadão ter independência para crescer e se desenvolver, por isso para o país é tão importante que os empresários se qualifiquem e mantenham seus negócios por muito tempo”.   

Variação

O aumento no número de empresas abertas nos primeiros quatro meses de 2022 não significa ainda a melhoria da economia. A alta de 11,5% é comparada ao último quadrimestre de 2021. Se comparado com o mesmo período de 2021 (primeiro quadrimestre) o percentual cai para 3,2% negativo e de qualquer maneira, mostra uma recuperação que vem acontecendo lentamente, que não pode ser ignorada.

Do total de empresas que abriram suas portas este ano 79% são MEIs e os outros 21% se dividem em micro, pequenas e grandes empresas. Programa do governo federal que simplifica o processo de abertura deu sua contribuição para o crescimento. De acordo com o Mapa de Empresas, ferramenta do Ministério da Economia que fornece indicadores relativos ao quantitativo de empresas registradas no País e ao tempo médio necessário para abertura de empresas, em 2022 o tempo médio para abertura de empresas é de um dia e 16 horas, que corresponde a um recorde na série histórica. Sergipe foi a unidade da federação que apresentou o menor tempo de abertura de empresas neste primeiro quadrimestre: 15 horas, uma queda de 9 horas (37,5%) em relação ao último quadrimestre de 2021. Já a Bahia registrou o maior tempo: 3 dias e 17 horas.

No período em que foram criadas 1,3 milhão de empresas, outras 541 mil foram fechadas. O saldo positivo fica em torno de 800 mil empresas, mas o fechamento de empreendimentos preocupa e reforça a necessidade de qualificação do empresariado. Neste sentido, estudar e se capacitar para o negócio é um investimento que necessita estar na previsão de gatos de toda empresa, assim como integrar a rotina do empresário, como parte do caminho para o sucesso.

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